PF faz operação contra ex-servidor suspeito de vazar informações do STJ

Suspeito de violar sigilo funcional e repassar informações privilegiadas

PF faz operação contra ex-servidor suspeito de vazar informações do STJ

(Foto: Divulgação/PF)

19/10/2026 15:53

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (19) a Operação Linceu, com o objetivo de investigar a suposta prática de crimes como violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro. O principal alvo da ação de busca e apreensão, cumprida em Brasília por determinação do ministro Alexandre de Moraes (relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal), é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pradera foi exonerado do cargo na última sexta-feira (16) pelo presidente da Corte, ministro Luís Felipe Salomão.

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O esquema investigado

Segundo as apurações da Polícia Federal, o ex-servidor teria facilitado o acesso indevido do advogado Willer Tomaz a informações sigilosas e em tramitação no STJ.

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Relatórios da PF apontam que Pradera repassava detalhes de demandas internas, cópias de documentos de telas de computadores e andamentos de processos de alto interesse econômico — chegando a orientar o advogado sobre os efeitos de determinadas decisões.

Willer Tomaz é amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), e ambos são investigados em um inquérito no STF que apura suposta lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas. No âmbito jurídico, a investigação aponta que a atuação do advogado envolvia o recebimento antecipado de votos, ementas e decisões judiciais, além de tentativas de influenciar o teor de pareceres do Ministério Público Federal (MPF).

Defesa e posicionamento do STJ

Em nota oficial, a defesa de Willer Tomaz negou categoricamente qualquer acesso irregular ou não autorizado a decisões ou pareceres, afirmando que "a ciência antecipada de julgados no Superior Tribunal de Justiça não é crime: é funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte". O advogado também repudiou a divulgação seletiva de relatórios em plena campanha eleitoral.

Por sua vez, o STJ informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades, instaurou processos administrativos disciplinares e reforçou os protocolos de segurança institucional, anunciando o lançamento do programa Confiança Digital para mitigar novos riscos tecnológicos e proteger seus dados.

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