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eusebio junino

SAF: benefícios e malefícios dessa relação com os clubes brasileiros

Modelo transforma a gestão dos clubes e promete novo horizonte para o esporte

(Foto: Yuri Laurindo/CBF)

01/10/23 11:26

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um tipo específico de empresa, criado pelo Congresso Nacional no dia 6 de agosto de 2021, por meio da Lei 14.193/2021. A legislação estimula que clubes de futebol mudem da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial. Esse é um tema que tem ganhado cada vez mais destaque no futebol brasileiro, transformando a gestão dos clubes e prometendo um novo horizonte para o esporte mais popular do país. Contudo, essa relação pode trazer benefícios e malefícios.

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Tipos de SAF

Uma vez que a empresa é constituída, é possível vender uma parte majoritária, minoritária ou todo seu capital para um novo proprietário. Existem três principais formas de implementar esse modelo:

  1. O clube se torna 100% SAF: nesse caso, o clube deixa de ser uma associação e se transforma integralmente em uma empresa. Exemplo disso é o Cuiabá.
  2. Cisão do departamento de futebol: aqui, o clube realiza uma cisão do departamento de futebol, transferindo para a SAF seus direitos e deveres, incluindo a gestão. Exemplos notáveis incluem Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Bahia e América Mineiro.
  3. Cisão mantendo a associação como maior acionista: nesse cenário, o clube separa o departamento de futebol e transfere seus direitos e deveres para a SAF, mas mantém a associação como a maior acionista, garantindo poder de gestão. Esse modelo é o mesmo adotado pelo Fortaleza, que aprovou aderiu a SAF.

“O que muda, de imediato, é o investimento. Ao fazer essa separação da associação esportiva, a empresa que adquire a SAF passa a ter o controle sobre a gestão do futebol, o que garante segurança jurídica para investir, diante de todo histórico de gestão amadora do futebol brasileiro. É importante ressaltar que o clube tem um percentual dessa SAF (10% é o mínimo legal) e também participa da gestão, mas, no modelo mais adotado da SAF no país, uma participação menor”, explica Roberta Severo, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Direito Desportivo (SBDD).

Investimento não significa título

Os benefícios e malefícios da SAF estão interligados e representam as duas faces de uma moeda: a gestão profissional. O aspecto positivo reside no fato de que os investidores estão motivados a recuperar seus investimentos, o que resulta em escolhas baseadas em critérios mais racionais e menos em influências de empresários ou práticas questionáveis de gestões amadoras.

Entretanto, o poder de investimento não necessariamente se transforma em títulos. O foco pode estar na formação e negociação de jogadores, o que muitas vezes coloca os títulos em segundo plano ou até mesmo fora dos planos. Para se ter uma noção, atualmente, dos oito clubes brasileiros da Série A que se transformaram em SAF, três estão na zona do rebaixamento, são eles: América-MG, Bahia e Coritiba. Além disso, o Vasco está próximo ao Z4. Outros três ocupam o meio da tabela: Fortaleza; Cruzeiro e Cuiabá. O Botafogo lidera o campeonato, algo impensável anos atrás.

Brasil x Europa

Embora o modelo seja adotado na Europa há anos, existem diferenças significativas em relação ao Brasil. Em primeiro lugar, no Velho Continente, a transformação total do clube em empresa é mais comum, seja por imposição legal, como na Itália, França e Espanha, ou por necessidade de investimento e competitividade. Além disso, as ligas são mais competitivas, têm os melhores jogadores e, portanto, atraem maiores investimentos e retornos, alinhando os interesses de investidores e torcedores.

Aqui, a realidade é diferente. “O mercado brasileiro, ou mesmo sul-americano, está caindo para terceira prateleira, perdendo para a recente, mas muito bem gerida, liga americana, o que afasta o interesse do próprio mercado. Assim, com um produto fraco e diferença a grande diferença entre as moedas (o euro vale 5 vezes o real), investir no Brasil é barato e com bom retorno, tendo em vista a quantidade de talentos que revelamos no futebol. Por isso, essa visão dicotômica da SAF: mudar a gestão, aplicar regras de governança e compliance, não significa ter um clube hiper vencedor”, avalia Roberta Severo.

Na busca pelo equilíbrio

A implementação da SAF no futebol brasileiro representa um passo importante em direção a uma gestão mais profissional e transparente. No entanto, ainda há a necessidade de encontrar um equilíbrio cuidadoso entre o retorno financeiro e o sucesso esportivo. O futuro dessa relação dependerá da capacidade de encontrar esse equilíbrio e se adaptar às circunstâncias únicas do País.

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