PF aponta atuação de suposto operador da COAPH junto a políticos e outras OS
A PF ressalva que as inferências baseiam-se em conversas, comprovantes, notas fiscais

(Foto: IA)
16/10/2026 14:33
A Polícia Federal (PF) aponta o empresário Cássio de Melo Sales como um dos operadores financeiros ligados ao suposto desvio de recursos da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH). Segundo a investigação, ele atuaria ao lado do contador César Agamenon em um esquema baseado na emissão de notas fiscais inidôneas.
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Segundo as investigações, Cássio Sales seria responsável por manter estrutura de empresas fictícias, com uso de testas-de-ferro e 'laranjas', para operacionalizar desvios na COAPH e em entidades congêneres. A PF cita tratativas envolvendo constituição e renovação de CNPJs destinados à prática delitiva e indicação de terceiros para recebimento dos valores.
Ainda segundo a PF, o empresário operacionalizaria o desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares e seria responsável por indicar agentes públicos para o recebimento de vantagens indevidas. A investigação aponta que ele manteria contato direto com agente ou agentes políticos beneficiários do esquema.
A apuração indica que outras pessoas jurídicas seriam utilizadas no arranjo. Uma delas é a IGMC Serviços Médicos e Saúde Ltda, que, segundo a PF, seria controlada de fato por Fábio Dantas e utilizada nos esquemas atribuídos a Cássio e a César.
Núcleo familiar e pagamentos
As conversas de WhatsApp atribuídas a Joseani Sales Cassiano Pequeno, apontada como secretária de Cássio, são citadas no relatório. Nelas, haveria solicitações para que César realizasse pagamentos de boletos e repasses vinculados a bens patrimoniais do núcleo familiar de Cássio.
Entre os beneficiários citados nas solicitações estão familiares diretos. Os recortes analisados pela PF mostram pagamentos de parcelas de imóveis e outras despesas patrimoniais que teriam sido operacionalizados por César a mando do núcleo Cássio–Joseani, com recursos oriundos de notas fiscais consideradas fraudulentas e contratos simulados.
Em um dos exemplos, Joseani teria solicitado o pagamento de parcela de contrato vinculado a imóvel em nome de Nazaré de Melo Sales, mãe de Cássio. Após o pagamento, teria pedido a emissão de nova nota fiscal pela empresa ML Farma Comércio de Medicamentos e Material Hospitalar Ltda.
Movimentações e lavagem
Um extrato bancário da empresa New Consultoria e Assessoria, apontada como empresa noteira, mostrou, no mesmo dia, créditos simultâneos da ML Farma e da IGMC. No mesmo dia, segundo a PF, César teria sacado R$ 649.999,00 em espécie, por meio de saque e cheque.
Em outra data, o extrato da New teria registrado créditos da COAPH, IGMC, ML Farma e do Laboratório Labmed, seguidos de retirada de R$ 800 mil em espécie. Para a PF, o padrão de entradas múltiplas e saques imediatos configura indício de lavagem de dinheiro nas fases de colocação e dispersão.
Patrimônios em nome de terceiros
No nome de Cássio de Melo Sales foi localizado formalmente apenas um imóvel, com indisponibilidade decretada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 7ª Região no dia 22 de agosto de 2023. Para os investigadores, o contraste entre a quantidade de pagamentos patrimoniais realizados por César e o baixo número de bens em nome de Cássio reforça a tese de ocultação por meio de terceiros.
Foram identificados seis veículos registrados em nome de Cássio e de familiares diretos. Entre eles, um Porsche Cayman S 3.4, avaliado em R$ 321.494,00, apontado como possível incompatibilidade com a renda declarada.
A PF cita ainda um apartamento no Condomínio Next, no bairro Meireles, em Fortaleza, vinculado à mãe de Cássio, como um dos bens onde o empresário apareceria como beneficiário real, embora não figurasse como proprietário formal.
Outros operadores e extensão para outras OS
O relatório cita David Manciny Furtado de Galiza como integrante do esquema ao lado de Cássio e César, atuando na etapa operacional com fornecimento de empresas e documentos para dar aparência de legalidade às transações. Segundo a investigação, Galiza teria sido o responsável por aproximar Cássio de César. Em determinado momento, Galiza teria buscado orientação sobre constituição de holdings patrimoniais.
A investigação aponta que Cássio também operaria desvios no Instituto de Gerenciamento Médico (IGM), em esquema análogo, com emissão de notas, repasses e devolução em espécie, o que sugere repetição do modus operandi em diferentes frentes.
De acordo com diálogos entre César e Aerton analisados pela PF, haveria menções a recursos possivelmente vinculados a emendas parlamentares. O relatório registra que, em cerca de 100 dias, César teria operacionalizado mais de R$ 20 milhões somando operações com Péricles e com o eixo Cássio/David Galiza. No mesmo contexto, há referência a uma “parada” de R$ 165 milhões e a informação de que Rubens Neto teria desviado mais de R$ 30 milhões utilizando nove pessoas jurídicas.
A PF também anexou declaração de faturamento da COAPH entre janeiro e julho de 2024, de R$ 254.849.591,74, valor considerado compatível com a capacidade de geração de caixa mencionada nas apurações.
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A Polícia Federal ressalva que as inferências baseiam-se em conversas, comprovantes, notas fiscais e metadados analisados até o momento e permanecem sujeitas a validação por novas diligências, sem que a menção a nomes importe qualificação prévia como investigados.