MPF aponta que máfia italiana usou consulado da Itália em Fortaleza para lavar dinheiro
A denúncia do MPF foi aceita pela 11ª Vara Federal do Ceará no dia 15 de julho

(Foto: reprodução/internet)
27/07/2026 13:10
O Ministério Público Federal (MPF) aponta que a máfia italiana 'Ndrangheta usou o endereço do Consulado Honorário da Itália, em Fortaleza, para registrar empresas fantasmas e lavar dinheiro no Brasil. Oito pessoas — quatro italianos e quatro brasileiros — se tornaram rés na Justiça Federal por organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária. A denúncia do MPF foi aceita pela 11ª Vara Federal do Ceará no dia 15 de julho.
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Segundo a investigação, o grupo abriu empresas de fachada no endereço do consulado, vinculado ao Consulado do Recife, para obter vistos de permanência e receber recursos ilícitos vindos da Itália.
O ex-vice-cônsul honorário da Itália em Fortaleza, Cesare Villone, é um dos réus. Ele ocupou o cargo até 2018 e presidia a Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira. De acordo com o MPF, Villone atuava em 18 das 21 empresas citadas e usava o cargo para facilitar o esquema.
A apuração começou em 2020, após a Polícia Federal (PF) receber uma notícia-crime da Guardia di Finanza, da Itália, sobre movimentações suspeitas entre os dois países. Os investigadores identificaram faturas de operações fictícias emitidas por empresa dos irmãos Domenico e Berardino Aquaro.
Domenico, apontado como principal operador, morreu em 2024 e não foi denunciado. Ele declarou rendimentos de cerca de 10 mil euros entre 2009 e 2011, mas enviou 5,3 milhões de euros ao Brasil entre 2006 e 2009, segundo o MPF. Em 2011, foi preso na Itália ao voltar de Fortaleza com 41 mil euros não declarados. No Brasil, era sócio de 14 empresas.
Berardino Aquaro, que tem antecedentes na Itália por lavagem de dinheiro, teria transferido 780 mil euros para o Brasil apenas em 2009.
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As defesas negaram participação nos crimes e classificaram a denúncia como "indevida, inverídica e fantasiosa".