Investigação da PF e Interpol revela esquema da máfia italiana para lavar dinheiro no Ceará
A máfia italiana teria ligação com às facções PCC e CV

(Foto: reprodução/PF)
22/07/2026 15:36
A Justiça Federal do Ceará vai julgar o esquema da máfia italiana 'Ndrangheta que usou negócios no Estado para desviar milhões e ocultar bens. O caso é fruto da Operação Calábria, deflagrada em 2024 pela Polícia Federal (PF) em parceria com a Interpol. Oito pessoas, entre italianos, são rés por lavagem de dinheiro, ocultação de bens e organização criminosa por crimes cometidos entre 2011 e 2013. Segundo a investigação, o grupo teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
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O processo está em fase de respostas à acusação e foi declinado da 32ª para a 11ª Vara Federal do Ceará, que ratificou o andamento na última quarta-feira (15). A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal (MPF) no ano passado.
Segundo o MPF, o investimento de italianos no Ceará saltou de R$ 16 milhões em 2011 para R$ 177 milhões em 2013, aumento de mais de 1000%. A maioria dos réus tinha endereço fixo em Fortaleza e usava pizzarias, hotéis e pousadas para disfarçar a operação. De acordo com o órgão, as organizações italianas tentam lavar dinheiro no Brasil, principalmente no Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas, investindo em restaurantes, hotéis, pousadas, imóveis e empresas de construção. A apuração começou após a Guardia di Finanza, agência italiana de crimes financeiros, enviar uma notícia-crime sobre movimentações suspeitas entre Itália e Brasil.
A investigação aponta que o grupo usava empresas que existiam apenas no papel. Contava com um contador, citado na denúncia mas que não é réu, para internalizar recursos e criar as empresas. Uma delas, a Torino Empreendimentos Imobiliários, foi classificada como "veículo de branqueamento de capitais" por ser fictícia, sem funcionários ou existência física. Não há registros dela no Caged. Ela recebia valores da Açúcar Empreendimentos Imobiliários, entre R$ 175 mil e R$ 269,8 mil, em esquema de pulverização e triangulação.
Outra prática foi o "commingling", mistura de dinheiro lícito com ilícito. A Pousada Itália Beach teve movimentação "absolutamente incompatível com uma microempresa", segundo laudo pericial.
A PF identificou organização estruturada, com hierarquia definida e caráter transnacional, ligada à 'Ndrangheta, da região da Calábria, no sul da Itália.
Segundo a PF, o Ceará foi usado como "porto seguro". O dinheiro entrava via câmbio fraudulento, era investido em turismo e imóveis, e usava o endereço do Consulado Italiano em Fortaleza para registrar empresas de fachada usadas como contas de passagem.
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No mês passado, a PF desvendou outro esquema do grupo que transportou mais de duas toneladas de cocaína do Brasil para Europa e África em um ano, com bloqueio de R$ 631 milhões em bens e criptoativos.
As informações são do jornal Diário do Nordeste.