55" /> 70" />

MP cumpre mandado no CE contra empresas de bets ilegais que movimentaram R$ 4,6 bi

Em novembro de 2025, a Justiça bloqueou R$ 145 milhões do grupo

(Foto: reprodução/Agência Senado)

(Foto: reprodução/Agência Senado)

18/06/2026 12:21

O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), cumpriu nesta quinta-feira (18) um mandado de busca e apreensão em Fortaleza contra um esquema de apostas online irregulares. A ação integrou a operação “Conto da Sorte”, deflagrada pelo MP do Rio Grande do Norte (MPRN).

Siga o canal do CN7 no WhatsApp

A operação investiga a exploração de apostas de quotas fixas e jogos de azar na internet, as chamadas bets. Uma das empresas envolvidas obteve créditos de R$ 4,6 bilhões em 2025, segundo o MPRN. A investigação teve atuação conjunta da Receita Federal.

Além da capital cearense, foram cumpridos mandados contra sete pessoas físicas e seis pessoas jurídicas em Recife, Caruaru e Toritama (PE), e em São Paulo e Iguape (SP). Participaram da ação seis promotores de Justiça, 19 servidores dos MPs do RN e de Pernambuco, 16 policiais civis, 12 policiais militares e 10 servidores do Ministério da Fazenda.

A operação apura lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogo de azar e loteria não autorizada, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo.

Segundo informações do MPRN, grupo usava o órgão Lotseridó, criado pela Prefeitura de Bodó/RN, para dar aparência de legalidade a dezenas de plataformas de apostas. A investigação partiu de análise técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Ainda de acordo com o órgão, o grupo invadia sistemas de órgãos públicos e inseria códigos em páginas com domínio “.gov.br” e “edu.br”. A adulteração direcionava usuários para sites ilegais de apostas. Para ocultar os donos, líderes estruturaram empresas de fachada em nome de laranjas: pessoas de baixa renda, beneficiários de programas sociais ou parentes. O controle das contas era mantido por procurações públicas. As empresas usavam endereços inexistentes, salas vazias ou escritórios virtuais. O grupo continuou operando mesmo após a baixa dos CNPJs na Receita Federal. Foram identificadas 21 empresas em um mesmo endereço em Bodó.

A Prefeitura de Bodó informou que as empresas arrecadaram R$ 415 milhões em 10 meses, com repasse de R$ 8,3 milhões ao município.

Em novembro de 2025, a Justiça bloqueou R$ 145 milhões do grupo. A decisão determinou sequestro e indisponibilidade de contas, investimentos, veículos e imóveis.

Siga o canal do CN7 no Telegram

O MPRN afirma que municípios não têm competência para legislar sobre loterias e apostas. O entendimento segue decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que define a atividade como exclusiva da União.

Publicidade
Publicidade

Clique ou role ate aqui para carregar o carrossel.


Links patrocinados