Esquema de desvio de recursos da saúde teria 80 empresas fantasmas e bunker de dinheiro
Estrutura encontrada na sede da cooperativa teria equipamentos para contar cédulas

10/10/2026 18:14
A Polícia Federal investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde no Ceará que teria utilizado mais de 80 empresas de fachada para movimentar dinheiro. A investigação também identificou uma estrutura descrita como um bunker de dinheiro vivo, localizada na sede de uma cooperativa de profissionais da saúde.
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O caso é alvo da Operação Coaptação, deflagrada na quinta-feira (8) pela Polícia Federal, com cumprimento de mandados no Ceará e na Paraíba. A apuração busca esclarecer como os recursos públicos eram movimentados e se parte dos valores foi desviada por meio de contratos e notas fiscais suspeitas.
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Segundo as investigações, empresas supostamente fictícias eram utilizadas para emitir documentos fiscais relacionados a serviços como consultorias, assessorias, locação de veículos, fornecimento de equipamentos médicos, reformas e manutenção. A suspeita é de que parte desses serviços não tenha sido efetivamente prestada.
Empresas movimentaram milhões
De acordo com informações da investigação, quatro empresas suspeitas teriam movimentado aproximadamente R$ 20 milhões entre junho e setembro de 2024.
Os investigadores identificaram indícios de que parte dos recursos recebidos era sacada em dinheiro vivo. Os valores seriam posteriormente destinados a outros envolvidos ou utilizados para pagamentos cuja finalidade ainda é apurada.
A estrutura encontrada na sede da cooperativa teria equipamentos para contagem de cédulas e seria utilizada para administrar grandes quantias em espécie.
A investigação teve um dos pontos de partida em setembro de 2024, quando um contador foi abordado por policiais e teve cerca de R$ 437,9 mil em dinheiro apreendidos. A análise de dispositivos eletrônicos, conversas e registros financeiros contribuiu para aprofundar as suspeitas.
Operação cumpriu mandados no Ceará e na Paraíba
A Operação Coaptação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, além de Campina Grande, na Paraíba.
A Justiça Federal também determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente relacionados aos investigados. Além disso, cinco gestores foram afastados cautelarmente de funções gerenciais, financeiras ou de representação.
A investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude documental.
Investigação envolve recursos públicos da saúde
Conforme informações divulgadas sobre o caso, a cooperativa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos de origem federal entre 2007 e 2025.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram se parte dos valores foi desviada por meio de contratos e documentos fiscais suspeitos.
O objetivo é identificar os responsáveis pelas movimentações financeiras, rastrear o destino dos recursos e dimensionar possíveis prejuízos aos cofres públicos.
As suspeitas ainda estão sob investigação e deverão ser esclarecidas no decorrer do processo judicial.