Empresário cearense é alvo de operação da PF que apura uso de emendas para filme “Dark Horse”
O empresário é apontado como "figura central do grupo editorial" investigado

(Foto: reprodução/Google)
11/09/2026 14:10
O empresário cearense Dayvid Moreira Medeiros foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (10). Ele é dono da HD Cultural e da Dinâmica Editora, sediadas em Rio Claro (SP), e foi apontado pela PF como "figura central do grupo editorial" investigado.
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A operação apura o desvio de recursos de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP). No centro está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, o ICB firmava contratos com entes públicos para projetos sociais e depois subcontratava empresas em processos descritos como suspeitos ou fraudulentos.
De acordo com a decisão judicial, o dinheiro das emendas percorria um "circuito fechado" entre as empresas investigadas para fragmentar os repasses e dificultar a rastreabilidade.
Dos 49 mandados de busca e apreensão cumpridos na operação, sete foram no Ceará, em Fortaleza e Aquiraz, em endereços ligados a Dayvid e a familiares dele:
- Daywson Moreira Medeiros, irmão de Dayvid e sócio da Mecla Soluções Educacionais (Mecla Editorial);
- Georgia Helena Medeiros Lira, cunhada de Dayvid, esposa de Daywson e sócia da Mecla;
- Ana Patrícia Aguiar Santos, sócia da Cometa Livraria, com mandado cumprido no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza. A empresa funciona no mesmo endereço da antiga empresa dos dois irmãos, a Gráfica Dinâmica. Também foram alvos as sedes da Mecla e da Cometa.
Em 2025, o ICB recebeu R$ 2 milhões de duas emendas de Frias para projetos de educação digital e esportes de combate em Pirassununga (SP). O instituto subcontratou a Dinâmica Editora, de Dayvid, que recebeu R$ 400 mil. Segundo a PF, o material teria sido produzido pela HD Cultural, mas o projeto nunca foi executado pelo ICB.
A PF aponta ainda que a Cometa Livraria teria participado da montagem da pesquisa de preço que direcionou a contratação da Dinâmica. "São fortes, portanto, os indícios de que houve montagem na pesquisa de preço, que já se encontrava, desde o início, direcionada para a contratação da Dinâmica Editora", diz o documento. Sobre a Mecla, a PF afirma que a empresa movimentou dezenas de milhões de reais em poucos meses, a maior parte em transações com a Cometa.
A conexão com o filme "Dark Horse" se dá por Heric Fabiano Dias, dono da NTT Brasil. Dayvid foi sócio de Heric, que transferiu R$ 750 mil para a produtora do filme. Heric é irmão de Pamella Cristiane Dias, dona do Instituto Super Poder Educacional e coordenadora editorial da HD Cultural. O instituto e os dois também foram alvos da operação.
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Na decisão que autorizou a operação, o ministro do STF, Flávio Dino, proibiu a HD Cultural, a Dinâmica Editora, a Cometa Livraria, a Mecla Soluções Educacionais, o Instituto Super Poder Educacional e a NTT Brasil de participarem de licitações com o poder público.