Dono da maquininha do BNB revela em delação ter movimentado dinheiro em malas

Entrepay teria recebido ainda R$ 166,5 mil de Fintech ligada ao PCC

Dono da maquininha do BNB revela em delação ter movimentado dinheiro em malas

(Foto: reprodução/Instagram)

04/09/2026 15:15

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono das maquininhas do Banco do Nordeste (BNB), revelou à Procuradoria Geral da República ter movimentado R$ 1,3 bilhão para gerar dinheiro vivo a pedido de Daniel Vorcaro. A movimentação de R$ 1,3 bilhão, segundo a delação, ocorreu entre 2020 e 2025 com o objetivo de transformar recursos em dinheiro vivo. Segundo o relato, as quantias eram entregues em malas, geralmente com valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ou a motoristas ligados a eles.

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Segundo o empresário, os pedidos para obtenção do dinheiro em espécie eram feitos inicialmente por Vorcaro e, posteriormente, por Zettel. Freixo declarou ainda que os recursos seriam “provavelmente” destinados ao pagamento de comissões e vantagens indevidas. Para sustentar sua versão, ele entregou à PGR recibos de malas, contratos, comprovantes de transferências, planilhas e imagens de câmeras de segurança.

Em meio às revelações, outro dado chama atenção: a EntrePay, empresa ligada ao grupo empresarial de Freixo, recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech que aparece em documentos do Ministério Público de São Paulo relacionados a empresas investigadas por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A transferência foi identificada em uma relação de movimentações consideradas atípicas pelo Coaf e incluída em pedido de busca e apreensão do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A Ceopag teria sido utilizada por empresas administradas por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontados pelo Gaeco como integrantes da estrutura criminosa investigada no setor de combustíveis.

A investigação está relacionada à Operação Carbono Oculto, que apura uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e sonegação de impostos no setor de combustíveis.

Apesar da coincidência envolvendo a EntrePay e a Ceopag, os documentos do Ministério Público não dizem que os R$ 166,5 mil recebidos pela empresa de Freixo fazem parte do esquema de geração de dinheiro vivo descrito na delação.

Também não há, nos documentos citados, indicação de contato direto entre Freixo e os empresários apontados como líderes da organização investigada pelo Gaeco. O MP também não detalhou qual serviço teria motivado o pagamento à EntrePay.

Freixo tornou-se uma peça importante nas investigações sobre o Banco Master depois de fechar acordo de colaboração com a PGR.

Além do relato sobre os R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo, a empresa de Freixo também aparece em operações financeiras relacionadas ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, ligado às investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse.

O acordo de delação foi assinado em 8 de agosto e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela análise do caso.

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