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Reportagem aponta Zona Metropolitana de Fortaleza como a mais violenta do país
A matéria publicada pelo site G1 foi produzida pela BBC News Brasil em São Paulo
A reportagem faz um histórico do crescimento da criminalidade na Grande Fortaleza

Uma reportagem especial publicada pelo site G1 Brasil nesta quinta-feira (7) aborda a questão da violência na Grande Fortaleza e questiona como a região se tornou a mais violenta do Brasil, considerando os índices criminais de 2006 a 2017.  A matéria é ampla e mostra como o crime avançou nos bairros periféricos da Capital com a chegada das facções criminosas e sua guerra por território.

Assinada pela jornalista Camilla Veras Mota, correspondente da BBC News Brasil em São Paulo, a reportagem revela, por exemplo, que a periferia no extremo sudeste de Fortaleza é uma das regiões mais disputadas pelas facções, as mesmas quadrilhas que promoveram dezenas de atentados durante 30 dias de janeiro último, incendiando coletivos, atacando prédios públicos e ameaçando os setores de governo, especialmente da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário.

“O mesmo Rio Cocó, que serpenteia por bairros nobres de Fortaleza, antes de desaguar no mar da Praia do Futuro, é a divisa natural de duas grandes áreas de influência do crime organizado no trecho antes da Arena Castelão, onde o turismo não chega”, cita a reportagem.  Ainda segundo a matéria a área é divida pelas facções Comando Vermelho/CV, que domina os bairros Cajazeiras, Barroso e Ancuri) e a Guardiões do Estado/GDE (que atua no Barroso II, Boa Vista e Passaré), de acordo com o levantamento jornalístico.

A matéria explica que, de acordo com dados do DataSus (o programa estatístico do Sistema Único de Saúde, do Ministério da Saúde), a área geográfica da Grande Fortaleza, “entre as regiões metropolitanas brasileiras, ocupa a pior situação de acordo com os dados recentes do DataSus, que ainda são preliminares. São 86,7 homicídios para cada 100 mil habitantes. Na Grande Natal, que ocupa a segunda posição, o índice é de 83,3”.

De acordo com a reportagem, “A Secretaria da Segurança Pública não disponibiliza estatísticas por bairro da Capital, mas um cálculo grosseiro feito a partir das Áreas Integradas de Segurança (AIS) dá a dimensão do fato”. E prossegue: “Em 2018, foram registrados (na área citada), 167 Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs) na AIS 3, que engloba o Ancuri, onde está o bairro Santa Fé e outros 12 da região, com uma população estimada em 256 mil pessoas. São 65,2 homicídios para cada 100 mil habitantes, praticamente o dobro do registrado na AIS-1 (33,6), que concentra a maior parte dos bairros nobres da cidade”.

História e violência

A reportagem traz também um panorama histórico de Fortaleza para mostrar como a cidade evoluiu até chegar aos graves patamares da violência e da criminalidade, revelando que o processo de “periferização” da cidade teve como um dos principais fatores a vinda de milhares de flagelados da seca do Interior para a Capital em busca de sobrevivência.  “Ainda no final do século XIX, 30,9 por cento das moradias da cidade de Fortalezsa eram barracos de palha, nos quais viviam, na grande maioria, migrantes fugindo da seca”, comenta a matéria.

Por fim, a reportagem relata os recentes casos de atentados, bem como os casos de expulsão dos moradores de imóveis adquiridos através do programa “Minha Casa, Minha Vida”.  “São frequentes os casos de expulsão de moradores por traficantes, que revendem os imóveis  ou os repassam para amigos e parentes”, denuncia.

E Finaliza: “Em paralelo à pobreza e a ausência do Estado nas regiões tomadas pelo tráfico, duas fontes da Secretaria da Segurança Pública apontaram falhas na política e na gestão das polícias, com razões por trás do aumento da violência em Fortaleza na última década. Ambos destacaram que gestões deram prioridade à sensação de segurança, em detrimento da segurança em si”.

 

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