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Deu no Estadão
Reitor da UFC ligado a Bolsonaro é acusado de perseguir professores de oposição
Cândido Albuquerque foi escolhido pelo presidente mesmo tirando apenas 4% dos votos
Cândido Albuquerque
Por : Redação CN7
19/09/21 9:22

O reitor da Universidade Federal do Ceará, Cândido Albuquerque, é um dos 18 reitores escolhidos desde 2019 que não foram os mais votados nas eleições internas e foram colocados no cargo por decisão do presidente Jair Bolsonaro. Isso representa 36% do número total de reitores, 50. O levantamento é do Estadão deste domingo (19).

Segundo a publicação, a maioria desse grupo de 18 reitores está alinhada à gestão federal. “Os relatos hoje nessas universidades são de comunidades rachadas, decisões sem consulta a colegiados, paralisia administrativa e na organização da volta presencial. Há ainda queixas de perseguição a professores e alunos — e até uma espécie de processo de impeachment contra um dos reitores”, diz a matéria.

Com apenas 4% dos votos, Cândido foi escolhido por Bolsonaro em 2019. De acordo com as informações do jornal, neste ano, quatro diretores de unidades entraram na Justiça contra o reitor após receberem avaliações bem mais baixas que em outros anos. Eles alegam que tiveram notas ruins — o que pode comprometer a carreira do docente — por discordarem ideologicamente do reitor.

Procurada, a reitoria disse, por email, que “é muita presunção os avaliados julgarem a própria avaliação, ao invés de corrigirem alguns equívocos administrativos graves”, sem citar quais. “A perseguição é difusa no objetivo, tenta intimidar e serve como ameaça para os demais”, conta um professor que, por medo, pediu que seu nome não fosse divulgado.

Os estudantes da UFC ainda perderam seus assentos nos conselhos deliberativos, representatividade assegurada por lei. Assim, deixam de votar nas propostas enviadas pelo reitor. Em nota, Cândido disse que eles não conseguiram “realizar uma eleição válida” no Diretório Central dos Estudantes (DCE). “Ele alegou fraude nas eleições e judicializou o processo”, rebate o aluno de Psicologia Rodrigo Nogueira, de 19 anos, do DCE.

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