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População de Granjeiro teme que assassinato do prefeito seja “esquecido” e fique impune
A Polícia nada fala sobre o caso e os assassinos permanecem na impunidade
A população de Granjeiro foi às ruas pedir justiça e o fim da impunidade
Por : Fernando Ribeiro
12/02/20 9:26

Prestes a completar dois meses, o assassinato do prefeito de Granjeiro (a 478Km de Fortaleza), João Gregório Neto, o “João do Povo”, começa a ser “esquecido” pelas autoridades.  A família da vítima, seus amigos, correligionários e a população daquela cidade ainda clamam por justiça.  O caso continua sendo investigado sob sigilo, muito embora as autoridades já tenham concluído que o crime teve motivação política.

O fechamento das investigações deverá indicar, ao menos, oito pessoas, entre aquelas que agiram diretamente ou indiretamente no crime, incluindo mandantes, executores, intermediários e cúmplices da trama criminosa.  Entre as pistas que estão sendo colocadas nos autos há degravações de diálogos comprometedores descobertos com a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos autorizado pela Justiça a pedido da Polícia Judiciária (Civil).

Um dois principais suspeitos do crime  cumpre medida judicial cautelar,  através do uso de tornozeleira eletrônica. Trata-se do ex-prefeito e pai do atual prefeito de Granjeiro, Vicente Félix de Sousa, o “Vicente Tomé”, principal adversário político e inimigo pessoal da vítima.  Ele nega participação na morte de “João do Povo”, mas a Polícia afirma ter provas.

Sem repostas, a população de Granjeiro, os amigos e familiares de João Gregório temem que o caso seja “esquecido” pelas autoridades.  Uma força-tarefa montada pela Polícia Civil, com delegados, escrivães e inspetores, além de peritos, trabalha em silêncio para concluir o inquérito com o indiciamento dos suspeitos e pedidos de prisão preventiva para todos.

Veja quem são os suspeitos do crime:

1 – Vicente Félix de Sousa, o “Vicente Tomé” – ex-prefeito de Granjeiro, pai do atual prefeito, Ticiano Tomé, ex-aliado e depois opositor ferrenho e inimigo pessoal da vítima. Em sua casa a Polícia apreendeu uma caminhonete filmada no local do crime. Cumpre medida cautelar determinada pela Justiça, usando uma tornozeleira eletrônica.

2 – Ticiano da Fonseca Félix, o “Ticiano Tomé” – Era o vice-prefeito do Município e assumiu o cargo com a morte de João Gregório. De aliado político, tornou-se opositor e inimigo pessoas da vítima. Denunciou João Gregório  por uma suposta fraude na licitação para a compra de material escolar para as escolas municipais de Granjeiro. A Polícia Civil pediu a sua prisão preventiva, mas a Justiça negou.

3 – Carlos Alberto Ferreira Cavalcanti – preso na cidade de Teresina, no Piauí, na semana passada, após uma troca de tiros com policiais do Ceará e do Piauí. Foi flagrado nas ruas da capital piauiense dirigindo o veículo Polo cinza, placas QQW-9591, inscrição de Belo Horizonte (MG). O carro havia sido roubado e foi usado no apoio a fuga dos pistoleiros, sendo filmado.

4 – Rondinere Francino de Andrade – comerciante preso na cidade de Timon, no Maranhão. É dono de uma revenda de veículos naquele município e no seu estabelecimento foi localizado o carro (Polo) usado pelos pistoleiros. Como o veículo era roubado, foi preso e autuado em flagrante por crime de receptação.

5 – Suspeito de nome não revelado – seria um policial militar do estado de Pernambuco, apontado como um dos pistoleiros. Teve prisão preventiva decretada pela Justiça a pedido da Polícia do Ceará. Teria fugido para o Município de Exu (PE) após o crime. Está sendo procurado.

6 – Suspeito de nome não revelado – Detido na cidade de Granjeiro suspeito de tentar dificultar a coleta de provas no local do crime. Teria alterado a posição das câmeras que teriam filmado o assassinato.

7 – Raimundo Duclieux de Freitas, o “Doutor Gudy”, candidato derrotado nas urnas pela vítima. Fazia oposição ferrenha a João Gregório e o ameaçou através de um áudio que agora circula nas redes sociais.

8 – Carlos César Gonçalo de Freitas – foragido da Justiça do Ceará, capturado na cidade de Barreirinha, no interior do Maranhão. Suspeito de ser um dos pistoleiros. Bandido era foragido da Penitenciária Industrial Regional do Cariri (PIRC), em Juazeiro do Norte, e também envolvido no tráfico de drogas.

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