Polícia Civil prende suspeitos de homicídio que causou racha em facção no Ceará
Crime desencadeou outras mortes dentro do próprio grupo criminoso
(Foto: Divulgação)
30/01/2026 7:29
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu, nesta quinta-feira (29), dois homens suspeitos de participação no homicídio de Mauro Cesar da Silva Oliveira Filho, crime ocorrido em fevereiro de 2025 no bairro Jacarecanga, em Fortaleza. Segundo as investigações, a morte provocou forte repercussão interna em uma facção criminosa com atuação no Ceará e ramificações no Rio de Janeiro, dando início a um racha dentro da organização.
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As prisões foram realizadas por equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por meio da 4ª Delegacia de Homicídios, que cumpriram mandados de prisão preventiva contra Francisco Bruno Silva Soares, conhecido como “Shoyo”, e José Ronald do Nascimento, o “Boladinho”.
O crime ocorreu no dia 16 de fevereiro de 2025, na Avenida Presidente Castelo Branco, nas proximidades da Escola de Aprendizes Marinheiros, no Jacarecanga. Desde então, o caso vinha sendo tratado como prioritário pelo DHPP, em razão da complexidade das informações levantadas durante a apuração.
Execução teria sido realizada sem aval da liderança
De acordo com a linha investigativa, Mauro Cesar foi executado por integrantes do próprio grupo criminoso ao qual estaria vinculado. Além dos dois suspeitos presos, a Polícia Civil apura a participação de um adolescente e de um homem conhecido como “Pedro Doido”, já preso anteriormente em outro inquérito que investiga um crime de extrema violência, no qual a vítima foi atacada com golpes de faca na cabeça.
As investigações apontam que a execução de Mauro Cesar não teria sido previamente autorizada pela liderança local da facção, o que gerou desgaste interno e repercussão negativa entre os integrantes do grupo. O episódio passou a ser visto como um erro estratégico, sobretudo pela visibilidade do crime e pela reação de facções rivais.
Pressão externa e disputa interna
Com a repercussão do homicídio, integrantes ligados a uma ala da facção com origem no Rio de Janeiro teriam passado a pressionar por represálias. Segundo a apuração policial, a liderança conhecida como “Fiel” teria, em um primeiro momento, determinado a execução, mas recuado posteriormente, deixando os executores sem respaldo dentro da organização.
A mudança de postura teria colocado os envolvidos diretamente no homicídio na condição de alvos dentro da própria facção. O cenário levou ao agravamento do conflito interno e ao rompimento entre grupos aliados.
Nova execução como forma de “punição”
Ainda conforme as investigações, como forma de “punição interna” e tentativa de reorganizar o controle territorial, os mesmos envolvidos na morte de Mauro Cesar teriam sido incumbidos de executar um homem conhecido como “Mofo”, apontado como liderança criminosa na região do Pirambu.
A apuração indica que Mofo teria afirmado não ter autorizado a execução de Mauro Cesar justamente por prever as consequências negativas do crime. Mesmo assim, sua morte teria sido ordenada como um “ajuste de contas” interno, aprofundando ainda mais o racha na facção.
Investigações seguem em andamento
A Polícia Civil destaca que as prisões realizadas representam um avanço significativo na elucidação do caso, mas reforça que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a cadeia de comando e compreender a totalidade das ordens que culminaram na sequência de homicídios.
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O DHPP trabalha com a hipótese de que os crimes estejam diretamente ligados à disputa por poder, controle territorial e legitimidade interna dentro da facção criminosa.