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Polêmica da nomeação de Cândido Albuquerque para reitor da UFC repercute nacionalmente
Cândido Albuquerque

O jornal O Globo deste domingo (22) traz matéria especial sobre a nomeação de reitores para universidades federais no brasil que não foram os escolhidos pelas comunidades acadêmicas. Entre eles está Cândido Albuquerque, que ficou em terceiro lugar na votação interna da Universidade Federal do Ceará (UFC), mas, mesmo assim, foi escolhido para assumir o cargo.

Segundo a matéria, o presidente Jair Bolsonaro quebrou tradição de uma década e meia de se indicar o primeiro colocado nas listas tríplices encaminhadas pelas universidades federais para o cargo mais importante das instituições. Em pouco mais de nove meses de governo, dos onze reitores indicados, seis não foram os mais votados pela comunidade acadêmica.

A primeira federal de peso a não ter o mais votado consagrado pelo governo foi a UFC. Uma das consequências foi uma ocupação da reitoria pelos estudantes que já dura um mês.

Em tempo

O governo escolheu Cândido de Albuquerque para o comando da universidade. Terceiro colocado na lista tríplice, ele recebeu 4,6% dos votos na eleição geral. A assessoria da UFC informou que o nomeado “conversou pessoalmente com o ministro da Educação e teve reuniões com parlamentares da bancada cearense”.

“Lutei, sim, pela minha nomeação. —Nenhuma universidade (fora do Brasil) entre as 200 melhores do mundo adota esse sistema de consulta universal e direta. Ele é que divide a comunidade acadêmica e transforma a indicação do reitor em uma disputa ideológica. Ao se questionar se é democrático assumir o cargo sem ser o vencedor (da eleição geral), não se avalia o que é melhor para a universidade brasileira, que hoje passa por um momento muito difícil”, disse Cândido ao jornal.

Em tempo II

O Ministério da Educação (MEC) negou interferência de políticos nas nomeações. No entanto, em vídeo publicado na internet, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirma o contrário. Na gravação, ele diz que parlamentares auxiliam na checagem do perfil dos reitores para garantir que estes são “pessoas sérias que não promovam ideologias”.

A escolha de reitores é decidida em três etapas: professores titulares com título de doutor se organizam em chapas e passam pela consulta eleitoral. Alunos e técnicos também têm direito ao voto. Na sequência, o conselho universitário da instituição elege uma lista tríplice, encaminhada ao MEC. Docentes que se enquadrem nos critérios podem se candidatar no próprio colégio eleitoral e, caso recebam votos suficientes, integrar a lista. Em geral, o vencedor da consulta à comunidade encabeça o documento.

Em tempo III

O Presidente da República tem prerrogativa constitucional de indicar qualquer um dos três nomes ao cargo de reitor. A nomeação do primeiro colocado no pleito eleitoral das federais, no entanto, vinha sendo seguida à risca desde 2003.

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