COAPH é alvo da operação da PF que investiga desvio de recursos públicos da saúde no CE
Cinco gestores cearenses foram afastados dos cargos

08/10/2026 19:27
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (8), a Operação Coaptação, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à Saúde envolvendo a Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH). A operação foi realizada no Ceará e na Paraíba e apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental.
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Durante a operação, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) apreenderam veículos de luxo, relógios e outros bens. Um dos relógios encontrados é estimado em cerca de R$ 3 milhões. Segundo a PF, porém, a autenticidade e o valor da peça ainda precisam ser confirmados.
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Entre os alvos da investigação estão o presidente executivo da COAPH, Montesuma Feitosa, e o tesoureiro e presidente do Conselho de Administração da instituição, Newton Lacerda. Montesuma foi alvo de diligências em Fortaleza e Tauá, onde possui imóveis, incluindo uma casa e uma fazenda. Já Newton recebeu agentes da Polícia Federal em sua residência, no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão, 32 mandados de busca e apreensão e duas medidas de sequestro de bens em cinco cidades: Fortaleza, Caucaia, Tauá e Eusébio, no Ceará, além de Campina Grande, na Paraíba. Cinco gestores cearenses também foram afastados de suas funções.
Entre os veículos apreendidos ou atingidos pelas medidas judiciais estão uma McLaren Artura, um Chevrolet Corvette, um Toyota Corolla, um Jeep Commander, uma Honda HR-V, uma Denza B5, um BYD Dolphin Mini, um Mini Cooper e duas Ford Ranger. Mais de dez veículos foram apreendidos.
A McLaren Artura, modelo do ano 2025/2026, tem valor estimado entre R$ 2,65 milhões e R$ 3,2 milhões. Já o Chevrolet Corvette pode chegar a R$ 2,5 milhões, dependendo da versão.
A Justiça Federal, por meio da 32ª Vara, determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente relacionados aos investigados. Também foram solicitadas medidas para quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas vinculadas à apuração.
Investigação apura movimentações financeiras
De acordo com a investigação da Polícia Federal, a principal empresa sob apuração, apontada como sendo a COAPH, firmou contratos com entes públicos e recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos federais entre 2007 e 2025.
A apuração teve início após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo saques de elevados valores em espécie.
Os investigadores apuram se os recursos destinados à prestação de serviços na área da Saúde foram desviados e posteriormente utilizados em operações para ocultar ou dissimular a origem do dinheiro.