Morte de El Mencho não muda atuação do cartel no Ceará, aponta investigação

A presença do CJNG no Ceará foi descoberta em 2017, quando a PF prendeu Chepa

(Foto: Ulises Ruiz/AFP)

(Foto: Ulises Ruiz/AFP)

24/02/2026 10:26

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, apontado como líder máximo do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), abriu uma nova fase de incertezas no submundo do narcotráfico internacional. No Ceará, no entanto, a avaliação de investigadores federais é que a eventual mudança no comando da organização não altera, ao menos por ora, a engrenagem já instalada no estado.

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A presença do CJNG em território cearense ganhou contornos concretos em 2017, quando a Polícia Federal (PF) prendeu, na Região Metropolitana de Fortaleza, José González Valencia, conhecido como “Chepa”. Apontado como operador financeiro do cartel e homem de confiança de El Mencho, ele vivia em área nobre, utilizando identidade falsa. A captura ocorreu a partir de um pedido de extradição dos Estados Unidos, onde respondia por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Após a prisão, Chepa foi transferido para o sistema penitenciário federal, passando pelo presídio de segurança máxima em Mossoró (RN), antes de ser extraditado em 2021. O episódio acendeu o alerta sobre a utilização do Ceará não apenas como rota de passagem, mas também como possível base de articulação financeira do grupo.

Relatórios de inteligência indicam que o modelo operacional do CJNG é descentralizado. Em vez de depender exclusivamente de uma liderança central, o cartel atua por meio de células autônomas e operadores locais, o que dificulta o desmantelamento completo da estrutura que inclui o uso de empresas de fachada e “laranjas” para movimentação de recursos ilícitos.

A conexão com facções brasileiras também preocupa. Informações compartilhadas entre forças de segurança sugerem que o CJNG teria estabelecido pontes com grupos nacionais para viabilizar rotas de escoamento e fornecimento de armamentos. Entre as organizações citadas em investigações está o Primeiro Comando da Capital (PCC), que mantém atuação interestadual e, principalmente, conexões internacionais.

Forças estaduais e federais intensificam o monitoramento de movimentações financeiras atípicas e fluxos logísticos suspeitos. A leitura é clara: mesmo com a eventual queda de uma liderança histórica, o modelo empresarial do CJNG garante resiliência.

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No Ceará, a guerra do narcotráfico não se mede apenas pelos confrontos armados, mas pela disputa invisível por rotas, portos e capital. E, nesse tabuleiro internacional, o estado permanece como peça estratégica.

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