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Farra na compra de caixões corre solta no interior do Ceará e Procap nada faz
Vanja Fontenele
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A pandemia do coronavírus que assola também o Ceará tem provocado um fenômeno estranho no Estado: a compra, independente de licitação, de caixões e sacos mortuários por prefeituras para enterrar os cidadãos e as cidadãs. Em vez de se preocuparem com a prevenção ou o tratamento da Covid-19, os gestores querem a solução mais fácil e menos onerosa — mas não tão barata assim.

Para ficar em dois exemplos, as prefeituras de Camocim (R$ 880 mil) e Uruburetama (R$ 330 mil), juntas, estão dispostas a gastar mais de R$ 1 milhão em caixões e apetrechos funerários.

E não para por aí. A prefeitura de Tianguá já encomendou 1.400 caixões. Sem licitação, claro, porque é urgente enterrar o povo.

Em tempo

A Prefeitura de Viçosa do Ceará também quis enfrentar o problema com sacos mortuários. Desembolsou dinheiro suficiente, mais uma vez sem licitação, para comprar 200 envelopes de defunto.

Em tempo II

Em Paraipaba, uma das taxas mais altas de letalidade por Covid-19 (7,5 por 100 infectados), tem vereador que quer ser prefeito, Garcia da Zabelê, oferecendo vale-caixão para os munícipes. Segundo ele, a população não tem condição nem mesmo de enterrar os entes queridos.

O prefeito de Paraipaba, Dimitri Batista, leva a sério o pedido das autoridades sanitárias e tem ficado em casa. E aproveita para tirar um bom descanso, porque nada faz para combater a doença na cidade.

Em tempo III

Que boa parte dos prefeitos tenham essa atitude, é do jogo. Mas é inadimissível a omissão completa da Procuradoria dos Crimes Contra a Administração Pública (Procap), comandada por Vanja Fontenele. Até agora, nada foi feito para investigar as compras de caixão sem serem licitados.

Em tempo IV

Dra. Vanja deve ser adepta do fique em casa do prefeito Dimitri. Não da forma certa, como preconiza os especialistas, mas da forma certa, que se iguala com a omissão, e não com o cuidado.

Outro lado da Prefeitura de Tianguá

A secretária do Trabalho e Assistência Social de Tianguá, Natália Félix da Frora, entrou em contato com o CN7 para informar que a prefeitura comprou, sim, os caixões por meio de licitação e que até economizou. “Fizemos um contrato de 30% do valor total, ou seja, R$ 239.700,00. É lógico que o nosso desejo é não precisa utilizar nenhum time desse Contrato. O contrato tem vigência até 31 de dezembro de 2020, podendo ser prorrogado, por se tratar de serviços continuados, ou seja, o contrato pode ser prorrogado até dezembro de 2021″, escreveu a gestora.

Outro lado da Prefeitura de Camocim

A Prefeitura de Camocim homologou licitação para a compra de caixões. Mas independente do documento, não seria melhor usar os R$ 882 mil na aquisição de cinco respiradores?

É sempre bom lembrar que salvando pessoas, não é preciso enterrá-las.

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