Denunciados por morte de vereadora em Aiuaba teriam articulação com o PCC
A morte ocorreu em um contexto de vingança iniciado após uma execução em 2016

(Foto: reprodução/vídeo)
23/10/2026 16:13
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou cinco homens pelo assassinato da vereadora Jucely Alves Arrais, a 'Cely Arrais', morta em 2017 em Aiuaba. Segundo apuração em documentos do inquérito e junto a fontes da Polícia Civil e da SSPDS, o grupo teria "contato e articulação" com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia foi oferecida nesta quinta-feira (22), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Aiuaba, nove anos após o crime.
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Segundo o MPCE, a morte ocorreu em um contexto de vingança iniciado após uma execução em 2016, envolvendo ainda rivalidade entre famílias, disputas políticas e interesses econômicos.
Os denunciados são Antônio Neves Pereira, o "Sr. Tonho", apontado como quem teria orquestrado a morte; Francisco André Gonçalves Feitosa, que teria fornecido transporte e apoio aos executores; Francisco Elton da Silva Sousa, o "Teta do Felipe", e Antônio Eldo Nogueira de Sousa, o "Eldo do Felipe", irmãos que teriam monitorado a vítima e levantado informações; e Antônio de Araújo Chaves Neto, o "Tonho da Ronda", que teria dado apoio ao grupo.
Um policial militar afastado e investigado por participação em milícia chegou a ser investigado por suspeita de envolvimento no homicídio, mas não foi denunciado.
Segundo a investigação, a vereadora foi ameaçada semanas antes do crime, com mensagens sobre familiares, principalmente sobre o marido, Francisco Alves de Sousa, o 'Josa'. Ela relatou medo de sofrer um atentado. As ameaças teriam partido de Eldo do Felipe, que enviava fotos de Josa para Cely. Elton teria sido visto rondando a residência da parlamentar nos dias anteriores ao assassinato.
O crime ocorreu na localidade de Bom Nome. Imagens do dia mostram um Palio estacionando em frente à casa e sete homens armados e encapuzados descendo. Três deles usavam coletes.
A família de Cely tem histórico de mortes. O pai, Júlio Luis Arrais, foi morto em 2001 em Pio IX, no Piauí. 'Marcos Baladeira' foi apontado como um dos supostos autores. Em 2003, dois irmãos da vereadora, Juleucy e Juciley Alves Arrais, foram assassinados em Bom Nome. Em 2004, dois tios, Raimundo Alves Sobrinho e Antônio Jacinto Filho, também foram mortos.
Um mês antes de Cely, o irmão Juleudy Alves Arrais foi morto a tiros. Menos de um mês depois da vereadora, o marido Josa foi morto no bairro Bela Vista, em Fortaleza, quando estava na calçada com parentes e foi surpreendido por homens que desceram de um Corolla. Josa era irmão de José Valmir de Sousa, vereador de Aiuaba executado em setembro de 2016 durante um comício.
Em abril de 2017, Graciliano Bezerra Pereira, irmão do presidente da Câmara de Aiuaba, foi encontrado morto em um lava jato.
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Segundo a apuração, as retaliações se intensificaram após a morte de Marcos Baladeira, em outubro de 2016, que teria relação com um dos denunciados.
Assista ao vídeo da ação criminosa: