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Crise do coronavírus é mais severa com negócios comandados por mulheres
Por : Redação CN7
03/08/20 12:28

Embora os impactos negativos tenham sido sentidos por praticamente todos os setores da atividade econômica devido à crise do novo coronavírus, as mulheres empreendedoras enfrentam ainda mais desafios nos seus negócios neste período. É o que aponta pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o estudo, elas foram as mais afetadas pela crise. A parcela de mulheres que tiveram de paralisar “temporariamente” ou “de vez” suas atividades é de 52%, frente a 47% dos homens.

Outra pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e pela Rede Mulher Empreendedora, com uma amostra de 1.165 entrevistas em todas as regiões do país, demonstra ainda que, em 21% dos casos, toda a renda familiar vem do negócio tocado por essas mulheres e que, em 17% deles, mais da metade do dinheiro que entra em casa é proveniente desses empreendimentos.

Presentes principalmente no setor de serviços (61%), na indústria (21%) e no comércio (17%), 21% das empresas chefiadas por mulheres tiveram de reduzir salários e cerca de um terço delas tiveram de demitir parte ou todos os funcionários devido às perdas de faturamento, fazendo crescer o percentual das empreendedoras que trabalhavam sozinhas, sem empregados. O número aumentou de 49% para 66% depois da pandemia, ainda de acordo com o estudo do Instituto Locomotiva e da Rede Mulher Empreendedora.

Barreiras sociais já são conhecidas das mulheres antes da pandemia
Em meio a esse cenário, ainda somam-se outras barreiras sociais e econômicas já bastante conhecidas das mulheres. Muitas delas ainda precisam se desdobrar entre as atividades da empresa e as responsabilidades com filhos, com a casa, e lidar com a pressão do sustento da família.

Roberta Pereira conhece bem a complexidade do empreendedorismo feminino. Mãe de dois filhos, de 14 e 18 anos, respectivamente, a empresária é formada em Gestão de Recursos Humanos e comanda a Bonjardim Ambiental, empresa de pequeno porte especializada em implantação de áreas verdes. Com um aguçado perfil de liderança, ela sempre esteve na linha de frente de todos os processos operacionais e burocráticos do negócio, priorizando e respondendo ainda pela gestão e condução saudável da equipe de colaboradores, o que, para ela, é parte primordial para a sobrevivência e o pleno funcionamento da empresa.

No início da crise, ela conta que a prioridade foi garantir os salários de todos os 17 funcionários. Atualmente, durante o período em que eles tiveram de ser afastados, devido à implantação do regime home office ou à suspensão temporária de contratos, o diferencial está sendo manter o contato e a proximidade com a equipe, explicando todas as decisões que estão sendo tomadas, quais serão os passos no plano de retomada das atividades, e procurando tranquilizá-los quanto ao momento de incertezas.

“Nesse momento em que todos estamos distantes, continuamos tirando um tempo para ligar, saber como estão. Procuramos ter com eles o mesmo cuidado que teríamos com nossa família se estivéssemos distantes dela e o mesmo tratamento que gostaríamos que tivessem conosco, já que, na Bonjardim Ambiental, eles são parte da nossa história. Queremos que, quando eles voltem às atividades normais, continuem confiando na nossa empresa e se sentindo motivados”, pontua.

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