Covid-19: Ceará registra mortes em casa e orienta doentes a irem para unidade de saúde

Municípios de Eusébio e Farias Brito já registraram três mortes do tipo

Movimentação de idosos no posto da 612 Sul para Vacinação contra Influenza

11/04/2020 16:12

A morte de pacientes em casa por covid-19 está preocupando autoridades no Ceará, que lançaram uma campanha de orientação para que as pessoas com comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas) não demorem para se dirigir a uma unidade de saúde, em caso de sintomas.

Pelo menos quatro óbitos ocorreram no estado sem internação hospitalar. "São pessoas que estavam em casa ou a caminho de um hospital. Hoje temos UTIs [unidades de terapia intensiva] lotadas e emergências vazias", explica Antônio Silva Lima Neto, que é pós-doutor na Escola de Saúde Pública de Havard e atua na vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza.

O cenário de pouca busca às unidades de saúde chama a atenção do especialista, que alerta para outro fenômeno preocupante: as mortes por covid-19 em locais que não registraram casos oficiais da doença causada pelo novo coronavírus.

"Essa é uma questão bastante preocupante. Temos bairros de Fortaleza com poucos casos, mas que registram óbitos. E cidades que não têm casos, mas têm um óbito. Isso é grave, porque morte é um marcador de circulação viral", completa.

A reportagem do UOL constatou que, no Ceará, há pelo menos duas cidades cuja situação chama a atenção. Farias Brito só registra uma morte, sem outros diagnósticos de covid-19. Em Eusébio foram três casos confirmados, dois deles culminando em óbitos.

"Isso quer dizer que deve haver uma relutância, ou é um idoso que morre sozinho, já que essa doença causa um comprometimento pulmonar muito rápido — e pode não ter havido tempo para chegar a um atendimento. Por isso, estamos iniciando hoje uma campanha de orientação para pacientes com alguma comorbidade, que apresentam febre persistente, para buscarem a unidade de pronto atendimento antes mesmo de apresentar cansaço", explica o integrante da secretaria municipal.

Lima Neto explica que, para entender melhor a disseminação do vírus no estado, existe a necessidade de realizar mais testes, especialmente para as áreas que começam a registrar mortes. "A gente depende de testes e mais testes para não pegar só o topo do iceberg", diz.

De acordo com o especialista, um levantamento preliminar dos casos de morte no Ceará apontou que, em média, um paciente leva cinco dias de sintomas até procurar uma emergência.

"Em um dos óbitos, a pessoa levou nove dias para ir [a uma unidade], teve outra que levou 11 dias. É difícil afirmar sem pesquisa, mas como a gente interpreta uma emergência vazia? As pessoas estão relutando para ir [ao hospital], às vezes acham que estão controlando [a doença] em casa, mas a situação clínica desse paciente pode se deteriorar rapidamente. Ele pode ter a sensação de que está bem, mas forma-se um quadro grave de insuficiência", pondera Lima Neto.

Com informações UOL

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