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Brigas de Carnaval: falta de armamento adequado causa riscos para policiais e foliões
Sem armamento menos-letal, PMs são forçados a usar munição real durante incidentes
Policiais que fazem o policiamento nos eventos não contam com armas não-letais
Por : Fernando Ribeiro
08/02/20 9:49

Com a intensificação dos festejos de Pré-Carnaval em vários bairros da Capital, na Região Metropolitana e no interior do estado, os incidentes de roubos, furtos, assédios sexuais  e brigas entre foliões aumentam, exigindo mais deslocamentos de efetivos da Polícia Militar para intervir  em tais situações. Entretanto, policiais militares do Policiamento Ostensivo Geral (POG) reclamam que não dispõem de material adequado para intervir em tais ocorrências sem riscos de mortes ou lesões graves, pois não contam com o armamento adequado, não-letal ou menos-letal, como spray de pimenta, balas de borracha ou granadas/bombas dispersivas.

A falta desses equipamentos acaba gerando situações de alto risco para os envolvidos nos acidentes e para os próprios policiais, já que estes usam no dia a dia armas letais, como pistolas e carabinas de calibre Ponto 40 (.40) e outros.  Nos dois últimos fins de semana, foram registrados vários incidentes na Capital em que policiais do POG, chamados para ocorrências em festas de Pré-Carnaval, tiveram que sacar suas armas com munição real (letal) e foram forçados a dispará-las em meio a aglomerações, pois não dispunham de artefatos não-letais.

Um dos casos ocorreu no fim de semana passado nas ruas do bairro Benfica, em Fortaleza, onde tiros de munição real foram disparados por policiais militares durante uma perseguição a um homem que estava praticando furtos e assaltos em meio aos foliões na Praça da Gentilândia, na Avenida 13 de Maio. Moradores e foliões registraram tudo em vídeos depois postados nas redes sociais.

Tiros reais

No fim de semana anterior, outro incidente semelhante  aconteceu no bairro Colônia, na zona Oeste da cidade, onde policiais militares teriam sido recebidos a pedradas por foliões em uma festa de Pré Carnaval que começou no domingo (26/1), e entrou na madrugada de segunda-feira (27/1),  na comunidade conhecida como Quadra do Chico dos Ovos. Sem munição menos-letal, as patrulhas do POG foram forçadas a disparar tiros com munição real para dispersar os baderneiros que utilizavam um “paredão” de som em alto volume.

Também no fim de semana passado houve registros de tumultos e tiros em uma festa de Pré-Carnaval no bairro Lagamar. Na noite do domingo (2), policiais do POG tiveram também que disparar tiros com munição real para conter uma confusão que se instalou no local. Logo em seguida, ocorreu um assassinato no mesmo local, onde um jovem identificado por Ariel Silva  Jacob, 21, foi morto a tiros e seu corpo jogado no Canal do Lagamar.

Mortes

Em um desses incidentes, dois jovens acabaram sendo baleados e mortos por policiais militares. O fato aconteceu no dia 26 de janeiro de 2013, quando a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) acionou uma viatura do Ronda do Quarteirão para intervir em uma confusão que ocorria em uma festa de Pré-Carnaval no bairro Elleri, em Fortaleza.

Ao chegar no local, os PMs teriam sido apedrejados e, sem armamento não-letal ou menos-letal, tiveram que usar suas pistolas com munição real. Os tiros acabaram matando dois foliões, a jovem Ingrid Mayara, 18 anos; e o adolescente Igor Andrade, 16. Resultado: os dois PMs foram processados, condenados e expulsos da PM, o cabo PM Raimundo Vieira da Costa e o soldado José Raphael Olegário França.

Já no Carnaval do ano passado (2019), PMs foram acusados da morte de um folião durante uma confusão em uma festa de mela-mela na cidade de Fortim, no Litoral Leste do estado. A vítima foi o jovem Victor da Silva Barbosa, que teria sido espancado até a morte pelos PMs que faziam o policiamento no local.  Os militares não tinham armamento dispersivo para conter os envolvidos na briga.

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