O Brasil informou nesta terça-feira (20) ter registrado um caso confirmado de sarampo, após quase três anos, e outros sete suspeitos no Estado de Roraima. Sete dos oito registros são de cidadãos venezuelanos que migraram para o Brasil afetados pela crise no país vizinho, onde surtos de sarampo e malária são realidade. Segundo o Estado de S. Paulo, a outra vítima da doença é um bebê brasileiro morador de Boa Vista.
Os dados causaram alerta no Ministério da Saúde diante da possibilidade da expansão do vírus entre imigrantes e brasileiros não vacinados. A preocupação se justifica principalmente pelo fato de a cobertura da vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo) estar abaixo do esperado em várias regiões do País. Em Roraima, apenas 84% do público-alvo recebeu as duas doses da vacina no ano passado, enquanto a meta é imunizar 95% desse grupo.
A ameaça, caso se concretize, também pode fazer o Brasil perder o certificado de eliminação do sarampo, emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2016.
Dados do ministério mostram que apenas um Estado brasileiro – o Ceará – registrou cobertura vacinal dentro da meta no ano passado (98%). Em todas as outras unidades da federação, a taxa é inferior a 95%, chegando a apenas 51% no Maranhão e no Rio Grande do Norte, Estados com as menores coberturas vacinais. Na média do País, apenas 68% do público-alvo tomou as duas doses da tríplice viral no ano passado.