Após maior confronto dos últimos anos, Justiça mantém prisão de 231 torcedores
Dos 112 adolescentes apreendidos, 97 foram liberados
(Foto: Reprodução)
11/02/2026 9:34
O Poder Judiciário cearense concluiu, na tarde desta terça-feira (10), as audiências de custódia dos detidos nos confrontos entre torcedores de Ceará e Fortaleza, registrados no domingo (8), em Fortaleza. Do total de 246 adultos ouvidos, 231 tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. Outros 15 foram liberados, sendo 12 sob medidas cautelares.
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Entre os adolescentes apreendidos durante os episódios de violência, 97 foram liberados ainda na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Outros 16 foram encaminhados à 5ª Vara da Infância e Juventude. Desses, 12 receberam medida socioeducativa de liberdade assistida, três tiveram a liberdade concedida e um teve internação provisória decretada.
Diante do volume excepcional de detidos — um dos maiores já registrados em ocorrências envolvendo torcidas organizadas no estado — o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) designou dez magistrados, em caráter extraordinário, para reforçar os trabalhos. Também foram feitas adaptações na estrutura física do fórum para viabilizar a realização simultânea das audiências.
Os confrontos do fim de semana reacendem o alerta sobre a violência entre torcidas no futebol cearense. Em episódios anteriores, como as brigas generalizadas registradas em clássicos-rei nos últimos anos, autoridades de segurança e o Ministério Público já haviam defendido o endurecimento de medidas contra integrantes de torcidas organizadas envolvidos em tumultos.
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Especialistas em segurança pública apontam que a reincidência desses conflitos expõe desafios na prevenção e no monitoramento de grupos organizados, apesar de operações policiais recorrentes e de decisões judiciais que, em ocasiões passadas, determinaram restrições a integrantes identificados em atos de violência.
Os últimos episódios provocaram reações do crime organizado contrárias à violência promovida por torcidas organizadas. Mensagens atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho (CV), em perfis nas redes sociais, ordenaram o fim dos conflitos e a imediata renúncia de lideranças regionais de torcidas organizadas do Fortaleza e do Ceará em bairros da capital, sob pena de sofrerem “consequências severas” em caso de descumprimento.